• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

  • Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

    Junte-se a 558 outros seguidores

  • postagens

    fevereiro 2010
    S T Q Q S S D
    « jan   mar »
    1234567
    891011121314
    15161718192021
    22232425262728
  • Saibam vocês

  • Últimas do Instagram

    Mais um pouco e seremos nós a apagar as luzes mas vamos lá #clubedafé #comoeuteamotricolor #morumbi #estacaodaluz Andorinhas voltando #aveiro #aveiro Janela da Jula #retrato #achadosdasemana #tatuapé #cptm #marrakech #maroc #souk #jornalistasdeimagens #achadosdasemana

Para meu tio e meu sogro

Dizem que muitas vezes a distancia acaba nos deixando mais próximos do que se nunca tivéssemos ido, e agora que estou vivendo um oceano mais longe começo, em partes, a descobrir que isso é mesmo uma verdade. Nunca estive tão perto do meu tricolor como estou agora, e olha que é uma dificuldade conseguir assistir um joguinho que seja, já tentei de quase tudo, sites mirabolantes, via Shype, rádios etc…Mas o caso, é que nunca estive tão bem informado a respeito do meu São Paulo, sempre que tenho uma pausinha (e internet), corro pra frente do computador para ver as notícias na net (UOL, Yahoo, Terra, Folha, Lance….). E foi no site da globo que comecei a acompanhar um blog: o blog do torcedor, com suas notícias de bastidores e tudo mais, coisa que nunca tinha feito até então. No começo você entra só pra dar um espiadinha (ah…se vocês soubessem como é bom não ouvir o Pedro Bial conjugando este “mal rotulado” verbo!!), mas aí, uma coisa vai levando a outra e a hora que você vê, já se tornou um hábito, e digo mais: um vício. Com um magnetismo incontrolável, um foi me levando a outro, e a outro, e a outro, só mais um…e quando dei por mim, já era tarde. Hoje, sou seguidor absoluto de vários deles: Daniel Perrone (o responsável pelo blog do torcedor são-paulino, da globo), do Victor Birner (jornalista metido a filósofo, que leio só pra manter o vício), do Neto, do Quesada (ambos especialistas em fofoquinhas do futebol), do Milton Neves (o rei!!) e por aí vai.  E os dois melhores, o açúcar do fundo do copo, aqueles que guardo para o fim só pra terminar com um gostinho especial, são: o do Torero, um cronista de primeira, capaz de encontrar semelhança entre uma Gisele Büdchen e um Tonhão, um misto de Drummond com Itararé (engraçado que quando eu ainda morava em Tatuí, tinha uma preguiça danada de ler a coluna semanal dele na Folha, quanta coisa boa devo ter perdido…coisas da juventude rsrs). E o outro é o do Juca Kfouri, jornalista sério e integro, apesar de corintiano, que não se vende, e que muitas vezes nos surpreende com postagens que nada têm a ver com o futebol, e esse é o ponto.

Foi lá, que numa manhã de inverno, aliás, como são bonitas as manhãs de inverno, sol e frio, petit gateau….humm….li um texto que o Drauzio Varella publicou na FOLHA sobre o nascimento de sua neta, e como neste exato momento meu tio e meu sogro estão prestes a dar uma volta completa no espiral da vida (palavras do próprio médico), não pude deixar de me lembrar deles.

DRAUZIO VARELLA

Bem-vinda

MINHA NETA acabou de nascer.

Não é a primeira, tive outra há cinco anos; uma menina de bons modos e olhar atento que encanta a família inteira.

Curiosa a experiência de ser avô, perceber que a espiral da vida dá uma volta completa; a primeira que independe de nossa participação.

Sim, porque até o nascimento de um neto os acontecimentos biológicos de alguma forma dependeram de ações praticadas por nós: nossos filhos só existem porque os concebemos, os fatos que constituíram a história de nossas vidas apenas ocorreram porque estávamos por perto; mesmo nossos pais só se transformaram em figuras carregadas de significado porque nos deram à luz.

Os netos, em oposição, vêm ao mundo como consequência de decisões alheias, nasceriam igualmente se já nos tivéssemos ido.

A ideia de nos tornarmos seres biologicamente descartáveis é incômoda, porque nos confronta com a transitoriedade da existência humana: viemos do nada e ao pó retornaremos, como rezam os ensinamentos antigos.

Por outro lado, liberta do compromisso de transmitirmos às gerações futuras os genes que herdamos das que nos precederam, força da natureza que reduz a essência da vida na Terra (e em qualquer planeta no qual ela porventura exista ou venha a existir) ao eterno crescei, competi e multiplicai-vos, como ensinaram Alfred Wallace e Charles Darwin.

A sensação de que nos livramos dessa incumbência biológica, entretanto, não nos torna imunes ao ensejo de proteger os filhos de nossos filhos como se fossem extensões de nós mesmos.

Somos impelidos a fazê-lo não por senso de responsabilidade familiar ou por normas de procedimento ditadas por imposições sociais, mas por ímpetos instintivos irresistíveis.

Os biólogos evolucionistas afirmam que a seleção natural privilegiou nas crianças uma estratégia de sobrevivência imbatível: a beleza.

Fossem feias e repugnantes, não aguentaríamos o trabalho que nos dão, porque cavalos e bezerros ensaiam os primeiros passos ao ser expulsos do útero materno, enquanto filhotes de primatas como nós são dependentes de cuidados intensivos por anos a fio.

Dizem eles, também, que o amor dos avós conferiu maior chance de sobrevivência aos bebês que tiveram a sorte de contar com ele, razão pela qual esse sentimento teria persistido em nossa espécie. Pelo mesmo motivo, explicam as vantagens evolutivas conferidas pela menopausa, fase em que a mulher já infértil reúne experiência e disponibilidade para ajudar os filhos a cuidar da prole.

Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos.

Por mais voluntariosos, mal-educados, egoístas, temperamentais e pouco criativos que os outros os julguem, para nós serão lindos, espertos, de boa índole e, sobretudo, inteligentes como nenhuma outra criança.

Anos atrás, surpreendi um amigo ao telefone perguntando para o neto como fazia o boizinho do sítio em que o menino de dois anos se encontrava.

A cada “buuuu” que ouvia, meu amigo ria de perder o fôlego.

Diante do riso exagerado, perguntei como reagiria quando a criança relinchasse.

Você verá quando for avô, respondeu.

Tinha razão.

Os netos surgem em nossas vidas quando estamos mais maduros, menos preocupados em nos afirmar, mais seletivos afetivamente, desinteressados de pessoas que não demonstram interesse por nós, libertos da ditadura que o sexo nos impõe na adolescência e cientes de que não dispomos mais de uma vida inteira para corrigir erros cometidos, ilusão causadora de tantos desencontros no passado.

A aceitação de que não temos diante de nós todo o tempo do mundo cria o desejo de nos concentrarmos no essencial, em busca do máximo de felicidade que pudermos obter no futuro imediato. A inquietude da inexperiência e os desmandos causados por ela dão lugar à busca da serenidade.

Fase inigualável da vida, quando abandonamos compromissos sociais para brincar feito crianças com os netos, sem nos acharmos ridículos.

Ajoelhar para que montem em nossas costas, virar monstros, onças ou dinossauros em obediência ao que lhes dita a imaginação aventureira, preparar-lhes o jantar que não comerão, assistir aos desenhos animados da TV, ler histórias na cama quando estão entregues, beijar-lhes o rosto macio, sentir-lhes o cheiro do cabelo e a respiração profunda ao cair no sono.

Confesso que estou mais curioso pra ver esses dois novos velhos babões, do que as duas princesinhas que dentro de pouco mudarão suas vidas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: