• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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Mais uma roubada, mas com novos Novos Baianos e BMW.

Eu e a Mica temos em nosso currículo um grande, não, grande não seria a palavra apropriada, acho que seria melhor algo como: MONSTRUOSO, COLOSSAL, EXTRATOSFÉRICO… de roubadas que por obra do acaso e da falta de dinheiro tivemos que encarar. Juntos e separados, já perdi a conta de quantos “esse foi o pior de todos” já lamentei. E posso classificar em várias categorias nossas “barcas furada”. Foram casamentos, concertos, vernissagens, demonstrações, quebrada de galhos para amigos e inimigos…e por aí vai, o bom, é que com passar dos anos vamos ficando mais calejados e cada vez mais vamos apurando nosso olfato. É como se a pessoa nos oferecesse um ramalhete de rosas amarelas e enquanto vamos as aproximando do nariz, aquele perfume vai se mutando e logo não existem mais perfumes e sim aquele cheiro de amonia que chega a arder os olhos, e aí está a roubada. Inversamente proporcional à velocidade que apuramos nosso nariz, vem o desenvolvimento da fala. São apenas três letras que nos salvariam de todos os “tiros no pé”: NÃO! Simples assim, mas na hora a língua se enrola e no caminho do cérebro até a boca o curto e simples NÃO, se transforma em um doce e amável sim.

Casamentos (meu Deus!!), de todos os tipos, noivas que atrasaram mais de hora, igrejas no fim do mundo, firmas que não pagam, mas o pior foi um que fiz em um sítio em Sta Isabel, o casório estava marcado para ao meio dia e as dez e meia, eu e mais outros dois elementos do quarteto, um deles meu cunhado Dudu, estávamos começando um concerto com a Orquestra de Guarulhos, também conhecida como “A furiosa de Guarulhos”; bom, Sta Isabel fica a uns 60Km de Guarulhos, e por isso, chegamos beeeeeeeeeeeem atrasados, aquela correria, chegamos: noivo puto, noiva quase se descabelando, padrinhos e convidados com a ira no olhar e até o sol parece não ter gostado do nosso “pequeno” atraso que canalizou suas ondas de calor bem nas nossas cabeças. Sentamos e tocamos no centro de um campo de futebol, sem microfones, sem nada, impossível se ouvir, nenhuma música junta e os violinistas discutindo no meio da cerimônia, o verdadeiro caos! (talvez se forçar um pouco a memória me lembre de algum outro, mas esse foi o primeiro “pior de todos” que me veio a mente).

Já toquei a noite toda em vernissagem por 50 contos, (nessa noite meu companheiro de barca foi o Brahms). Eventos adventistas? Úlceras na certa. No parte do concertos, a lista é infindável ao cubo:Orquestra S. Caetano do Sul, Orquestra Tom Jobim com os Zunidos do Monte não sei o que, Orquestra Sto Andre e seus memoráveis concertos em Paranapiacaba (que frio(a)!) , apresentação na Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos para celebrar acordos internacionais, Acadêmica da Lapa (Jesusmariajosé!!!), com essa orquestra não faziamos concertos e sim desbravamentos, o bom é que lá sempre tinha o Pedro, um cellista muito amigo, e conseguíamos dar boas risadas da nossa falta de grana e desgraça, e ele gostou tanto desta onda de desbravamento que hoje está no Mato Grosso. E quando o tricolor foi TRI-CAMPEÃO DO MUNDO? Mau o arbitro apitou o fim do jogo, toca sair correndo para o concerto da Lapa, um concerto ridículo em uma praça ridícula para ridícula meia dúzia de bêbados ridículos, e a nação inteira comemorando. Falando em comemoração, acabo de lembrar, quando o Lula ganhou pela primeira vez, eu louco querendo saber o resultado final e ir para a Av Paulista para comemorar junto com meu irmão e estava indo fazer uma cantata numa igrejinha no extremo da ZL. Que desespero! Pra variar, o atraso não foi pequeno, minha carona, que andava a 0,5 Km/h, resolveu parar pra comer e bater papo com os outros caronas e nem aí para aquele sentimento de esperança que emanava em grande parte da população brasileira. Dentro da minha cabeça ecoava furiozamente: “come logo essa p…. de Big Mac!!”.

Agora, gostaria de prestar um serviço de ordem pública e em prol da classe musical:

GUTEMBERG, é apenas isso que me lembro daquela (pseudo)firma de eventos, o nome do dono, Gutemberg.

Um marginal, que trata os músicos como animal, daquele idiotas sem razão que resolve (ou menos tenta resolver) tudo na base da porrada. Um homem completamente desequilibrado.

Uma vez um cara (uma espécie de sócio do Gut…) me ligou dizendo que precisaria de dois violoncelistas para fazer uma demonstração para um grupo de não sei quantos casais e aquela história toda. Se ele falou em dinheiro? Disse que ia tentar arrumar alguma ajuda mas como o evento seria em Alfaville, tinha uma grande chance de fechar com vários casais, seria mais ou menos um investimento para um futuro não muito certo. Agora, o cara que tem grana pra fazer um evento em Alfavile, não tem pra pagar os músicos que vão tocar no evento dele? Estranho. Pra varia, aceitei, e ainda arrumei outro tonto para ir comigo, o Moises. Eles marcaram um ensaio, fomos e é impressionante com essas coisas nunca são do lado de um metrô, simples de chegar, não, você sempre tem sair de casa com mapas, bússolas e com crédito no celular. Era um Studio até que bonitinho pra lá do aeroporto. Lá que conheci o tal sujeito, e já no ensaio ele começou a destratar os músicos, que supostamente estavam fazendo um favor, pois não tínhamos certeza se iríamos receber ou não. Ele logo veio com aquele discurso de que a empresa dele era diferenciada e que estava lá pra fazer frente às grandes. Foi reger e não conseguia bater um compasso quaternário.

No dia, a van que ele prometeu não apareceu, mas com um certo contorcionismo conseguimos nos arranjar dentro do carro do sócio.

Não tenho palavras pra dizer o quão tenebrosa foi aquela tarde. De Alfaville, aquele galpão no meio do nada, não tinha nada. As dezenas de casais, transformaram-se em poucos gatos pingados, a comida, tirando que era pouca, era também ruim, DOLLY e POP eram as bebidas. Que raios de trabalho diferenciado é esse, que serve DOLLY e POP? E por aí foi, o desfile de trajes de casamento, maquiagens e penteados foi assustador e a música se solidarizou a manteve o mesmo nível. No fim da nossa parte, o dono se enervou (nossa!) comigo porque fui perguntar como é que voltaríamos já que nossa parte havia terminado mas as exposições iam ficar por mais algumas horas. Meu Deus!! O cara virou um bicho, e aí já juntou o sócio, que na altura já devia ser ex-sócio porque, imaginem, no meio da apresentação da orquestra os dois batendo boca, xingando mãe, tia e avó, e a orquestra tocando alto pra platéia não notar (isso parece música do Moreira da Silva), e foi pega pra capar, que papelão!

No dia seguinte veio o recado: cheguei no ensaio da minha orquestra e logo veio um moleque do violino, que também havia participado do cambalaxo me dizer que o “Guarabyra” lá mandou me avisar que se ele soubesse que alguém anda falando mal dele ou de sua empresa, ele ia mandar matar. Já imaginou: “Violoncelista morre por chamar empresário de picareta”. Eu, heim?! Espero que ele nunca leia isso! haha

Portanto, se você conhece alguém que esteja à procura de música para qualquer tipo de evento, não deixe contratar a empresa deste maluco, mas não diga que fui eu que falei!

E agora, evoluímos, viemos aceitar furadas no outro lado do oceano, o que não deixa de ser um pouco mais glamoroso, pois aqui, pelo menos, quando recebemos, é em euro. Aqui já gravei com a bandinha da cidade, toquei, com a mesma banda, em troca de um jantar e por aí vai.

E neste momento, estou em Lisboa, assistindo a passagem de som da orquestra que a Mica está fazendo cachê. A orquestra em si, é muito boa, e não teria nada de furada se o concerto fosse em um lugar um pouco mais acessível, como o Porto. O problema são as condições, ou melhor, nossa falta de condições. Por não termos carro, tivemos que vir ontem, o eu de fato não foi ruim, ficamos na casa da minha prima, que foi nos levar pra ver um fado, coisa que não tem em Aveiro, e acabou nos levando a um barzinhoinhoinho, de um acreano, desses bem alternativos, onde os instrumentos ficam espalhados “decorando” o ambiente e quem faz a música são os próprios clientes, demos “azar”. Chegamos e ainda não havia ninguém muito inspirado e eis que de repente a pequena portinhola se abriu e começou. Tive a sensação de estar em plenos anos setenta quando vi aqueles “hippies tupiniquins”, que pareciam ter saído de dentro de uma Kombi, se ajeitando, pegando o violão, o baixo, os bongôs e as maracas e começaram a fazer um som a lá Novos Baianos, gostei muito. Só saímos quando um ser, que com certeza não era brasileiro, chegou com sua flauta e quis entrar na roda, coitado! Parecia feijoada com macarrão!

Nada de fado!

Acordamos bem cedo, embalamos da trouxa, pegamos o mapa e…chuva!!!  Ela sempre está lá, sempre quando não a queremos, nos encharcando sem um pingo de compaixão, meu All Star, o mesmo que maltratou meus calcanhares pelas ruas de Madri, agora transformava a calçada em uma pista de gelo, quase me esborrachei algumas vezes. Logo que descemos do ônibus, rodamos por alguns minutos à procura do teatro, sempre sob a amargura daquela, na altura, garoa, e eis que para em nossa frente um belíssimo BMW dizendo: “querem uma boléia?” Era um dos músicos, e mais do que pressa nos metemos dentro daquele carro que, quando adolescente, fez parte do meu ideal de CARRO, que emoção! Emoção essa que logo se frustrou pois para pedir uma informação à uma senhora, ele também estava perdidinho, ele teve que abrir a porta porque o botãozinho que faz descer o vidro estava quebrado!

E agora estou aqui, todo molhado, decepcionado com o primeiro BMW da minha vida, assistindo a passagem de som da orquestra e tendo que olhar para o Prof. Da Mica, que não sei porque cargas d’água está sem o dente da frente! Meu Deus, mas o dinheirinho é bom!

Já falei sobre os dentes deste povo? A volta vai ser bem longa, talvez fale um pouco sobre isso, mas não mostrem às crianças, pois vai ser bem feio!

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4 Respostas

  1. nós e nossos exércitos de brancaleone…
    espero que um dia todas essas furadas se revertam em coisas úteis. da minha primeira tentativa já joguei a toalha, agora resta saber qual vai ser a segunda.
    pelo menos não vou mais passar a madrugada arrumando tudo pra um nego chegar no dia seguinte, apertar o botão e dizer: eu sou o melhor fotógrafo do Brasil! nem vou fotografar globais numa propaganda estúpida.
    Furadas do outro lado do oceano?? vááárias!
    ééé, se não fossemos reconhecidamente irmãos, acho que poderíamos supor que fomos separados na maternidade. pelo menos a família zicada é comprovadamente a mesma!

  2. Meudeosdoceu! Por quantas a gente não passa, hein???

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