• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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Brasileiro?

Camões, Machado de Assis, Vinícius de Moraes, Saramago, Suassuna, Fernando Pessoa, Gilberto Gil, Clarice Linspector…grandes gênios da língua portuguesa, certo?

Acredito que a grande maioria da população brasileira responderia que “sim”, e apenas diria “não”, aqueles que por falta de sensibilidade, poesia (e de vergonha) não concordassem com o “grandes artistas”, mas negar o “da língua portuguesa” seria tão absurdo quanto afirmar que Pelé nunca chegou aos pés de Eusébio.

Uma característica muito marcante nos portugueses, é que todos fazem questão de expressar suas opiniões, ideias e “verdades”, o que muitas vezes causa um hilariante reboliço. Em Espinho – cidade um pouco ao norte de Aveiro, onde a Mica e eu fazemos cache na orquestra da Academia Municipal – toda vez que surge alguma dúvida quanto à nota ou arcada…é aquele furduncio, ao ponto de uma rapariga da última estante (não que ela seja inferior, mas na hierarqueia de direitos, a última estante é a que tem menos poder de decisão) dos segundos violinos levandou e gritou: “Não professor, acho que tinha que ser assim…”. E nas aulas de ESTUDOS EM PERFORMANCE não era diferente, e me lembro que uma das mais fervorosas discussões – mais até do que quando a professora nos disse que teriamos que criar um site ou blog para a avaliação final – foi numa das primeiras aulas quando a própria, que é americana, disse que nós, brasileiros, não falamos português e sim brasileiro.

Ai!!!

O circo estava armado, e nessa hora, todos os auri-verdes se uniram em uma só voz, um só coro, contra aquela que soara uma das maiores blasfêmias da história do meu ouvido (pior até que os bombardeios de “uma balas, uma meias e uma uvas” que a triste população tatuiana insiste em vomitar pelos ares), e partiram para a luta. Os portugueses saíram em defesa da professora, mas nós, a prole, não amarelamos e fomos pra cima. No meio da guerra, percebi que alguns dos portugueses começaram a se rebelar contra o próprio povo e se uniram a nós, equilibrando aquela batalha sem vencedores.

Depois disso, comecei a notar que sempre quando esse assunto volta à tona, sempre tem um ou outro que não concorda com o brasileiro e fica do nosso lado. Nunca são unanimes, apesar de serem a maioria.

Segundo minha prima Camila, eles são é muito interesseiros, pois na hora de dizer que a Língua Portuguesa é a quinta ou sexta língua mais falada do mundo, os beleuzas se lembram de contar as 190 milhões de bocas brasileiras, do contrario…

Nem acho que essa distinção tenha alguma conotação preconceituosa ou coisa e tal, pois vários dos que afirmam que no Brasil se fala o brasileiro, também afirmam que a “nossa” língua é muito mais bonita.

Tudo bem que no início parecia mesmo uma outra língua, toda frase dirigida a mim era prontamente rebatida com um oi: Oi?? As primeiras aulas eram sofríveis, ouvidos dilatados, olhos comprimidos e quase nada assimilado. Televisão então…nem perdia tempo.

Alguém me disse uma vez, que Inacio de Loyola Brandão escreveu sobre o quão estranho era ver um punk em Berlim, de madrugada numa rua deserta esperando o farol de pedestres. A aqui, a estranheza e ver um emo de quinze anos dizendo: “eu dar-lhe-ia um…” ou “vós sois…” e por aí vai.

Sei que hoje os entendo muito melhor, acho o português deles muito mais poético que o nosso (talvez porque eles não usam o gerúndio, que pode até ser mais prático, mas é muito feio), eles usam termos com uma sonoridade mais romântica, as cidades por exemplo: aqui nós temos Tatuí, lá eles têm Albergaria-a-Velha, nós temos Quadra, e eles Santa Maria da Feira…, até já pensei em fazer uma lista das palavras que mais gosto e tudo mais, mas ainda assim ninguém vai me convencer de que são duas línguas diferentes. Se o americano fala inglês, por que é que o brasileiro não pode falar português?

Mas acho que é mais fácil eles nos convencerem que Eusébio foi melhor do que Pelé do que nós os convencermos de que falamos a mesma língua.

Se ao menos Policarpo Quaresma tivesse vivido o suficiente para saber disso, seu fim talvez tivesse sido um pouco menos triste.

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Uma resposta

  1. Estou chegando a conclusão de que o certo seria dizer que falamos Brasileiro e não Português…….afinal são inúmeras diferenças!!!!
    Percebeste?!!
    rsrsrrs
    beijos

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