• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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Nova função

Levando em conta que este mequetréfico blog só é realmente lido por amigos e parentes; não, isto não é uma queixa, até porque, como já disse anteriormente, essa história de blog se tornou um mero passatempo e por isso não tem o menor interesse em conquistar leitores que nada têm a ver comigo. Eu vos pergunto: Alguém já ouviu falar em Ourém? E de Fátima?

Lembro-me de uma cena no Amadeus, em que o Salieri comenta, com uma mistura de amargura e inveja, com alguém que ele era para ter sido o maior compositor de Viena de todos os tempos, mas que graças ao jovem prodígio sua obra e seu nome foram se perdendo no fundo dos armários, gavetas e ouvidos, chegando ao ponto das pessoas não reconhecerem suas, antes famosas, melodias. É mais ou menos isso que sinto de Ourém, uma cidade que seria muito mais do que realmente é, tem até um castelo bonito, mas que graças ao fenômeno chamado Fátima, um verdadeiro prodígio capaz de atrair por ano mais que a metade de toda a população portuguesa, acabou reduzida a uma cidadezinha ali perto de Fátima. Pois bem, é onde estou neste exato momento.

Mais uma sexta-feira, e como quase todas as últimas sextas-feiras, estou na mesma pensão pseudo-limpinha, onde a dona, uma portuguesa loira cheia da nota, com um olhar, um narizinho e uma pele… que me lembram ….a Nicole Kidman?? Não, não, o Drácula, mas o do Gary Oldman; porém muito simpática, até me faz um desconto por minha fidelidade. Apaixonada pelo Brasil, toda semana conta mais uma de suas aventuras e peripécias em terras brasileiras, que vão desde casos na ZL paulista à entrada proibida na tribo dos Xavantes. Hoje, por conta do noticiário, que na exata hora que cheguei falava sobre a faixa de Gaza amarelinha (ah…sabem da onde vem o termo carioca? Ela me ensinou logo na primeira semana), ela contou de como teve que pedir autorização do chefe do Morro do Alemão para poder conhecer a favela, e que lá é tudo bem bonitinho, que a decoração é bem feitinha, diferente mas bem feitinha. E conta com uma riqueza tão grande de detalhes que por vezes até consigo pescar alguma sinceridade. Como fala!

E o que faço nesta cidadezinha perto do xodó do antigo papa? (aliás, me disseram a pouco tempo que foi em Fátima que o Jão Paulo levou o tiro, e mais: o turco foi julgado aqui em Ourém! Fui conferir e vi que não é nada verdade, talvez ele até desejasse estar lá naquele momento, lá ou em qualquer outro lugar do mundo, mas ele estava mesmo em Roma. Agora, se Fátima hoje fatura milhões de euros com o chamado turismo religioso, imaginem o quanto não faturaria se o crime tivesse realmente sido aqui e mais, se o turco fosse um pouquinho menos estrábico?? Hoje seria uma Meca católica) Pois bem, acreditem ou não, já faz três meses que quase toda sexta-feira venho pra cá para cumprir com minha mais nova função: PROFESSOR.

Saio de casa pouco antes das sete da manhã e, três ônibus, um troglodita e quatro horas depois chego no conservatório – o troglodita fica por conta do mais desa(l)mado de todos motoristas, considerado por seus colegas o rei do “mal-humor” e hors concours em falta de educação, que se pudesse eu compraria um poste e uma girafa e os amarraria na porta da toca desta anta para que todos os dias ao sair de casa… PAU!!!  Um coicezinho na testa  –,  me afogo em LARANJADAS DOCES até as oito e meia, venho para cá torcendo para que consiga caçar algum sinal de internet, o que quase nunca consigo.

Amanhã, sábado, e como todos os últimos sábados – notem que aos sábados não há o “quase” – estarei em Fátima cumprindo com minha mais nova função: a mesma da sexta.

13 alunos.

De sete a doze anos.

Sempre tive uma vocação para mestre, mas acho que a esqueci dentro de algum bolso de bermuda lá em Tatuí, e minha relação com o anseio de ensinar é tão estreita quanto à da Independente com a Gaviões em dia de clássico. Coisa bem fraternal! Talvez por nunca me sentir preparado o suficiente para encarar um aluno, essa idéia nunca se fixou em minha razão de ser músico, mas eis que a batata financeira esquentou e uma luz grande se acendeu no final do meu túnel: Conservatório.

Não achem que estou de saco-cheio, porque realmente não estou, lógico que estaria mais feliz se meu irmão fosse um gênio da bola e eu pudesse ser o “Assis” dele, mas até aí, quem não estaria?? Meus alunos são bem bacanas, uns mais outros menos, mas nossa relação tem sido boa, pelo menos da minha parte. Já da parte deles… não sei. Nunca tive muito jeito com crianças, não sou engraçado nem divertido, se tentar fazer alguma piada certamente sentirei meu rosto corar ao ver a falta de reação dos putos. O que me constrange um pouco é, como falar para um aluno que ele está tocando fora do ritmo se no dia anterior seu professor te disse com todas as letras que você não consegue fazer duas notas no mesmo tempo? Como exigir que eles decorem as músicas, se na sua última audição você deve um enorme apagão? (Aliás, o pobre do Baloubet Du Rouet deve ter morrido, pois de uns tempos pra cá muita gente tem digitado no Google coisas como: “baloubet du rouet morreu” e acaba caindo de paraquedas por aqui!) Dureza! Tá certo que o nível de exigência de ambos os professores desta história não pode ser o mesmo, mas mesmo assim me causa certo mal-estar.

Ainda bem que o colchão é muito bom.

 

 

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5 Respostas

  1. como sempre arrasando!!!
    te amo
    mas pensa que enquanto vc esta em ourem, eu estou em santa comba dao!!!!!!!!
    dai te pergunto: quem ja ouviu falar em santa comba dao? provavelmente o judas, porque foi la que ele perdeu as botas!!!!!!
    besos

  2. seu irmão não é o gênio da bola? vc tbém não é o Assis. então está tudo certo!

    meus alunos comiam giz e outras coias…
    ta vendo como ser descompassado não é tão ruim?

  3. Parabéns pelo texto. ;*

  4. Muito Thanks! Adorei seu blog tbém. Escreva mais dessa louca sensação em dar aulas…

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