• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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Eu, o (des)aventureiro

“Será que é genético??… só pode ser!”

Foi exatamente esse o meu pensamento na última segunda-feira quando sentei à margem do Tejo e senti aquela água gelada entrando no meu tênis e nas minhas meias. Pelo calor que fazia até que foi bom!

Mais do que depressa me lembrei de uma série de acontecimentos que comprovam que os verbos AVENTURAR, DESBRAVAR, EXPLORAR e similares, não se encaixam no perfil deste ser humano; deste estúpido ser humano.

Quando estava exatamente na sexta série, um amigo chegou com um papo sobre grupo de escoteiros, Baden Powell (até então o único que conhecia era o violonista!), jogos e acampamentos, que era muito bom, e que eu tinha que conhecer etc etc etc… Na altura minha irmã ouviu o mesmo discurso da boca de uma amiga, falamos com meus pais e entramos para o 3º Grupo Escoteiro TUPANCY praticamente juntos. Meses depois: o primeiro acampamento!

Uau!

Na primeira noite, durante uma atividade noturna sem lanterna (esses chefes são mesmo uns inconseqüentes!), soaram os três apitos – para aqueles que não estão muito familiarizados com o escotismo, quando um chefe apita três vezes todas as patrulhas têm que correr e se apresentar, e aquela que se apresentar primeiro leva pontos – e aquela cambada saiu um disparada para o galpão de onde vieram os apitos. Como não tinha (não tenho e provavelmente não terei) um físico vantajoso e não queria ser  responsável pela perda dos pontos de minha patrulha, o que a mula pensou?? Eles vão pela estradinha mas eu vou cortar caminho por esse campinho aqui e chego primeiro! Perfeito!! Meia duzia de passos e… 13 pontos. Da minha patrulha?? Não, na minha cara, mais precisamente na pálpebra e orelha. O asno não parou pra pensar que no meio de um pasto sempre tem uma cerca de arame farpado, e por muito, mas muito pouco não deixa o olho e meia orelha pendurados! IDIOTA.

Uns anos antes, agora na quarta série, fim de aula, largatixas fritando no asfalto tamanho era o calor, todos querendo chegar logo para o almoço e o que o gênio pensa?? “ah…vou subir nesse muro e vou atravessar o quarteirão em cima dele” Genial!! Acontece que o tal muro, desses que os donos levantam a toque de caixa só pra prefeitura não ficar enchendo o saco, estava torto e quase caindo e o Peter Parker aqui não pensou que um muro vagabundo e torto pode não aguentar o peso de um moleque que, como já disse, não tinha o porte apropriado. O que aconteceu?? Meti o pé num tijolo meio solto e … Bingo!! Despenquei de uma altura considerável, mas mesmo assim, com a destreza de um quati, girei meu corpo no ar e na tentativa de me segurar…fiquei pendurado pelo pulso, é, pelo pulso! Fui por a mão mas devo ter calculado mal e lá estava meu pulso esquerdo fincado duma pedra de cimento seco. Era sangue que não acabava mais! IDIOTA.

Quando tinha uns 16, fomos passar uns dias em Itanhaém na casa de, se não me engano, uma conhecida da minha avó. Foi a primeira vez que lá fui e não fiquei na casa da Tia Zélia. Depois, bem mais velho, fui pra ficar na casa da D. Cecília, tia da Mica. Num determinado dia fomos até a Praia dos Sonhos para encontrar uns primos da minha mãe que estavam hospedados na casa da Tia Zélia. E pra passar o tempo, propus pro meu grande amigo Michel, que tinha ido conosco, ir até uma ilhota que fica do lado esquerdo da praia. Até aí nada de mais, muita gente faz isso,  a travessia só é realmente emocionante para garotos que fingem ser prisioneiros escapando de Alcatraz ou piratas que encontraram o lugar certo para enterrar o seu tesouro, o que de fato não era o caso. O problema é que as pessoas com cérebro sempre levam um chinelinho numa bolsa ou mesmo calçados nas mãos, já os artistas… Chegamos, sol escaldante, chão de pedras, sem chinelo e o que o poeta aqui inventa?? “Vamos dar uma volta completa na ilha?” “Ah não, vai você!” foi a resposta. E não é que o Brancaleone aqui foi! Bolhas de sangue na sola dos dois calcanhares ! IDIOTA.

E por aí vai, pra terem uma idéia, já consegui engessar a perna no mesmo dia que fui tirar o gesso o braço, pode?

Bom, voltemos ao Tejo!

Não sei se disse, mas era uma segunda-feira (fato muito importante, vocês entenderão o porquê) e estávamos, a Mica e eu, levando os pais dela para conhecer a Torre de Belém, símbolo do país, que fica exatamente às margens do rio. Éramos pra ter ido no domingo mas uns portugueses que eles conheceram em uma viajem os convenceu de que o ideal seria ir na segunda, pois teria bem menos turistas. Só não falaram que na segunda os monumentos não abrem! Mas tudo bem, afinal em que país estamos mesmo?? Sem saber que torre estava fechada, fomos caminhando até ela pela margem do rio, uma espécie de calçadão onde pessoas andam, correm, pedalam…uma vista maravilhosa, altas fotos… E não é que tem uma escada que vai até a água? Aliás, ela parece ir além da água, como se fosse uma passagem pra uma outra dimensão, essas coisas de desenho. Pensei: (na verdade, acho que nem pensei, fui descendo e pronto) vou molhar as mãos no Tejo, o rio de Camões e Fernando Pessoa. Existe coisa mais poética??!! Isso supondo que o rio seja limpo!

Uma das cenas clássicas do Esqueceram de Mim, é aquela em que o pentelho espalha um monte de bolinhas de gude pelo chão e os dois palermas só percebem na hora em que suas pernas estão quase no mesmo nível da cabeça, num tombo espetacular. Três palermas!!!

Lógico que não tinha nenhuma bolinha, mas todo mundo sabe que água muito tempo em contato com concreto forma limo, lodo, musgo… e a anta só foi lembrar disso quando suas pernas estavam quase no mesmo nível da cabeça! O céu estava lindo! O mais humilhante, ao não cair de costas, cai de bunda, e aí a seqüencia foi como desenho animado: toim, toim, toim até ficar com meio corpo dentro da água!

Passava uma vela!

Que vergonha!!

Ainda bem que era segunda e apenas três pessoas quase enfartaram de tanto rir!!

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5 Respostas

  1. Vc esqueceu de dizer que na hora exata, não rimos e o meu pai ainda saiu correndo pra te salvar!!!!!!!!
    depois que o susto passou……ai sim nos enfartamos!!!!!!
    Mas se vc tivesse caido, eu pulava pra te salvar!! Não deixava meu amor no tejo por nada desse mundo!!!!

  2. quem enfartou???? já melhorou??

    esqueceu de falar qdo caiu de bicicleta em cima do espinheiro; que aprendeu a andar com o braço quebrado; que caiu de boca do chão; que quebrou a clavícula, que doou sangue…

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