O Vira

“Me convidaram pra uma tal…” nada disso, meu primeiro VIRA foi numa festa muito bem comportada, no coreto da pracinha, onde se juntássemos todos os presentes a média de idade seria uns…30 anos (ah…acharam que ia dizer 70 né?) mas é que cada velinho de 70 levou um netinho de 4.

Estávamos voltando pra casa e lá ao fundo vimos umas luzinhas  pirilampejando e resolvemos dar uma olhadinha no que se passava. Chegamos na praça e, como mágica, nos transportamos para a quermece do Chico Bento: coreto enfeitado, barraquinhas disso e daquilo, lua sorridente, padre careca desfilando entre os presentes; só que ao invés de pipoca e algodão doce….sardinha na brasa! 

Um povo, com uma certa tensão, se amontoava em cima do coreto; sanfonas e violas esquentavam os motores, e eis que um bigode falante com uma voz  digna do clã Caymmi apresentou o grupo e anunciou o início da apresentação, não sem antes entregar uma prenda qualquer ou político qualquer, a velha e não tão boa politicagem.

Num rítmo acelerado e com braços aos céus, os pares começaram a rodar em sincronia e uma bigode berrante, essa com voz digna do clã das Cyperus rotundus (leia-se Tiriricas), se pôs a entoar de maneira esguelante versos que, quando eu entendia, soavam muito parecidos com nossas cantigas de roda. Nada de suruba!

Foi uma apresentação simples mas muito bonita, onde ficou claro que o grupo, provavelmente formado por padeiros, costureiras, professores, ex-primeiros ministros, estudantes…, se mantém graças ao esforço de seus integrantes para manter viva as antigas (claro!) tradições.

Quando dizem que qualquer coisa é uma coisa típica, invariavelmente esse “típico” quer dizer: compre!! E foi exatamente isso o que me chamou a atenção: uma apresentação de um grupo de músicas e danças típicas em uma festa típica que não estava preocupado com turistas. Aliás, havia algum turista?? Não, néca! Mas, como se não precisassem deles, a festa estava rolando muito bem, com os velinhos, saudosistas e entusiastas, e os membros do grupo a apaziguarem o sistema nervoso, o que em tempos de crise é muito importante.

 

4 Respostas

  1. Adoro ler seus textos!!!
    A festinha estava muito boa!!
    Te amo

  2. É o tirulirulí…
    Legal ler sobre suas aventuras, Gabi.
    Adorei a ilustração!
    Ci.

  3. Lindo o texto!!!
    Admiro um jovem como vc ter sensibilidade para
    valorizar tradições!!! Parabéns.

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