• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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    #metrô #subway #barrafunda #tvminuto Mais um pouco e seremos nós a apagar as luzes mas vamos lá #clubedafé #comoeuteamotricolor #morumbi

Será que já posso morrer?

 Acabo de acordar de um dia realmente incrível que terminou lá pelas cinco e meia da manhã com uma discussão whatsappeana muito pouco profunda, eu diria que da profundidade de uma piscina pra recém-nascidos, com meu cunhado Dudu, sobre coisas da vida, onde elas podem ser boas mas as achamos detestáveis, ruins e as adorarmos e que não necessariamente aquilo que não gostamos não presta e vice-versa.

O fato é que ontem fui ao que acredito ter sido o melhor concerto da vida, pelo menos da minha, e que meu cunhado, sensível como um mastodonte, o definiu em um sucinto e sutil comentário no meu Instagram: “lixo”, dando o pontapé inicial para nosso debate onde a única intensão dele é de provocar, como acontece em absolutamente todas nossa discussões, e eu, tonto e já sabendo de ante-mão que essas são as intensões dele, sempre dou trela. E agora eu poderia iniciar uma divagação sobre esta questão Gosto x Qualidade e desembocar em uma suave reflexão sobre as coisas que realmente gosto, as que acho boas, se vejo qualidades nas que não gosto, se reconheço as ruins de que gosto e, acima de tudo, e o mais importante: o respeito. Por mais afinidades que você possa ter com outra pessoa ela sempre vai adorar alguma, alguma não, várias coisas que você abomina, músicas, livros, roupas, nomes, coentros… E aqui eu deveria fazer um mea culpa e refletir se não poderia ser mais condescendente, o que de fato devo, se talvez minha relação com as pessoas não poderia melhorar etc… Acontece que não foi exatamente pra isso que vim aqui e por tanto essa reflexão será feita mas internamente.

Por que que eu voltei à esse blog?

Desde a última postagem muita coisa aconteceu nas nossas vidas que, não sei bem o porquê, não registrei em forma de texto. Porém uns dias atrás quando David e eu trassávamos o plano do fim do caminho de Santiago, camiño esse que iniciamos o ano passado mas que por motivos mais do que razoáveis tivemos que o interromper, ele como que uma brincadeira sugeriu: «Olha, seria fixe se montássemos um blog em conjunto, não?» Não levei isso a sério mas ontem, no meio dos duzentos e cinquenta e tais quilómetros que separam Lisboa de Aveiro ele veio novamente com esse papo de blog, que poderíamos postar nossas visões sobre a peregrinação a Santiago de Compostela e consequentemente sobre outras trilhas que viermos a fazer, juntos ou não, que pra já foram duas: PR1 – Pateira de Fermentelos, esta com a jubilosa companhia de nossas senhoras e PR2 – Albergaria-a-Velha, que as madames não quiseram ir por ser um pouquinho mais difícil, e aí me lembrei do meu empoeirado e sucumbido Cello na Ria, que nasceu para gerir uma carreira profissional de um músico, virou um local de textos desinteressantes e banais e que depois de certo tempo caiu no ostracismo.

Porém como o dia de ontem foi muito foda, daqueles que espero me esquecer um dia depois do dia em que já não lembrar meu próprio nome, resolvi dar mais um sopro de vida ao Cello e postar qualquer coisa sobre o meu 31/07/2015.

No que se refere à música, talvez eu já tenha mencionado isso algures, não fui uma criança/adolescente muito normal, pelo menos para os parâmetros de Tatuí (e claro que por “culpa” dos meus pais e de uma antena de rádio super potente que para a nossa alegria sintonizava perfeitamente os 105,3 MHz da finada Musical FM de São Paulo), onde meus colegas ouviam Guns N’ Rose, Iron Maiden e coisas do gênero, eu ouvia muito Chico Buarque, MPB4 e Sá & Guarabyra. E tal qual uma grande amiga me contou que sua irmãzinha super fofa de 11 anos declarou que o One Direction é e será sua banda preferida para todo o sempre, eu aos 12 descobri quem seria o meu One Direction: Gilberto Gil.

Vinte e um anos se passaram cheios de idas e vindas e meu One Direction se manteve no topo da lista, lá dividiu seu espaço outros que já se foram e com alguns que vieram e decidiram ficar, dentre os quais: Caetano Veloso.

Agora imaginem minha explosão de alegria quando soube que os dois fariam um concerto juntos a apenas duzentos e cinquenta e tais quilómetros daqui de casa, ela não me cabia, ela transbordava e eu não poderia perder este evento por nada no mundo!!! E não o perdi.

Por questões de gosto e não de qualidade a Mica decidiu ficar em casa e assim seu bilhete migrou para as mãos do David e lá fomos nós ao encontro dos meus super-heróis ao som do “Prenda Minha Ao Vivo” e do “Concerto de Cordas e Máquina de Rítmo” e num crescente de ansiedade e emoção.

Enfim, após um longo tempo de espera, dividido entre saltos ornamentais, LPs, quadrinhos, kibes e fortes rajadas de vento o tão aguardado concerto começou, só os dois, o preto de branco e o branco de preto, num palco tão grande quanto longínquo, porém que emanava tamanha energia que mesmo longe, do palco, da Mica, das muitas pessoas que amo e do tricolor, naquele momento eu estava no melhor lugar do mundo.

Foram vinte e tantas músicas, revezadas entre solos e duetos, das quais eu conhecia a grande maioria, que me trouxeram a tona uma enxurrada de emoções, lembranças e sentimentos bons que gostaria que as vinte e tantas não acabassem nunca, mas acabaram e me deixando as lembranças e emoções, cumprindo talvez o real papel delas, e deles.

O regresso também foi responsável por sua dose de emoções quando quase, mas muito quase, ficamos parados sem combustível no meio da estrada e pelo cachorro-quente as quatro da manhã nO Mocho, um bar que beira o surrealismo e a tão amada Fermentelos do meu hipotético futuro comparsa de blog.

Após o tal debate deitei-me na cama e pensei: «Se eu morresse hoje eu morreria feliz… mas peralá, ainda não levei a Mica para o Egito. Dona Morte, nem pense nisso!!

Um dos registros do concerto:

PS: Gostaria de me desculpar publicamente com as quatro meninas que por questões de minutos chegaram depois de mim e por isso tiveram a visão prejudicada, a audição insultada e os pés estraçalhados, me perdoem, sim?

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4 Respostas

  1. Sinto me lisonjeada!
    Que venha o Egito!
    E muitos outros concertos!!!
    😘❤️

  2. Muito bom seu texto! Me fez refletir sobre algumas coisas! Beijão!

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