• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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Meu One Direction

E agora você (eu) se pergunta, será que este mequetréfico blog voltou com tudo? Será que agora teremos um turbilhão e meio de postagens para recuperar os anos perdidos? O gigante acordou?

Não.

Digo, provavelmente não, mas nunca se sabe.

O fato é que mediante a suposta improvável parceria bloguística que se esboçou a poucos dias atrás através de um mirabolante devaneio do meu nobre colega DJS, pedi ao dito cujo que me enviasse um texto sobre o concerto do último post e enquanto seu lobo não vem, e provavelmente nunca virá, resolvi reler o Será que já posso Morrer? e me detive diante a história do meu One Direction e não é que me lembrei o exato dia (o dia exato não sei, só lembro que foi em um dos quatro domingos de janeiro de 1994) em que Gilberto Gil transformou minha cabeça.

Naquele domingo tínhamos ido visitar minha bisavó ali no Carrão, Rua Diamante Preto nº…, só não me lembro do número da casa e nem dos meus irmãos (Mariana e Pedro, onde vocês estavam?). Bom, o que lembro que queria ir ao cinema, deixamos minha mãe com a vozinha dela e fomos, meu pai e eu, para o shopping Aricanduva e como acontece desde que me entendo por gente nos atrasamos, nos perdemos e o meu filme foi ó …pro beleléu, que frustração! Só nos restava tomar um sorvete e dar uma voltinha pelos corredores por entre as lojas fechadas, por isso que lembro ter sido um domingo. Mas não é que lá no meio de um dos corredores um sonzinho foi crescendo a cada passo e eis que do nosso lado esquerdo surge uma loja de discos, abertíssima e sedenta por pais com seus filhos frustados e com picolé de limão escorrendo pelos dedos. E vos pergunto: o que tocava na tal lojinha, hein?

Oswaldo Montenegro.

E ao som dos bandolins (essa piada foi muito fina, hein?) ouvimos o Monte interpretando uma série de canções do Chico. Não me interessando muito pelo som ambiente fui vasculhar alguma coisa mais interessante enquanto meu pai, que cá entre nós é louco por uma conversinha, começou a falar com o funcionário, um sujeito maluco por Oswaldo Montenegro (pode?? humm…ta bom, ta bom, temos que respeitar, né?), que falava com tanto ardor daquele disco que não precisou muito para convencer o Paulo Borges a leva-lo pra casa. O empregado só não sabia que aquele que tocava era o último exemplar que ele tinha, ficou sem o seu One Direction e nós fomos ouvir a banda, claro, ao som dos bandolins, lá em Tatuí.

E agora explico o porquê tenho tanta certeza que estávamos em janeiro, e essa é talvez uma das provas de que muitas vezes quando meu pai está indo, a minha mãe? já voltou a tempos. Dias antes, no natal, meu pai achando que estava apavorando no presente, ofereceu à minha mãe um LP do Chico, Paratodos (1993), e ela no mesmo instante deu-lhe uma caixa toda emperequetada com aquele que foi nosso primeiro CD player, portanto o CD Seu Francisco (1993), de Oswaldo Montenegro, comprado na única loja aberta do shopping Aricanduva e das mãos do fã nº1 do cantador dO Condor, foi oficialmente o primeiro CD da casa.

Com o CD nas mão, em frente ao vendedor borocoxô e a loja agora em silêncio, meu pai vira e diz: “Vamo Gabri, escolhe um rapidinho que a mamãe está esperando”, e aí eu que estava com uns cinco CDs nas mãos resolvi dar uma olhadela na estante dos lançamentos e lá o vi: Gilberto Gil Unplugged (1994), uma foto em preto e branco com um nome estranho em letras coloridas e terminava com a música do Sítio do Pica-Pau-Amarelo, tal qual um pedaço de um show que eu vira na TV junto com meu tio Fausto, era esse!

Não sei dizer exatamente o que me cativou mas a partir daí, e durante um bom tempo, foi só Gilberto Gil, Unplugged (1994), Expresso 2222 (1972), Gilberto Gil ao Vivo (1974), Refazenda (1975),  Refavela (1977), Antologia Samba-Choro – com Germano Mathias (1978), A Gente Precisa Ver o Luar (1981), O Eterno Deus Mu Dança (1989), todos LPs que meus pais já tinham, e Quanta (1997) – meu primeiro show dele, com minha prima Bianca, e com direito a autógrafo na capa, Raça Humana (1984) – com dinheiro emprestado da profª de Literatura, O Sol de Oslo (1998) – presente da minha irmã, assim como meu último CD dele em formato físico, Concerto de Cordas & Máquina de Rítmo (2012), que fomos ouvindo até Lisboa.

Fora isso foram livros, revistas, reportagens, decorei as letras todas (Geléia Geral foi difícil!) acho que tive até posters, coisas de adolescente bitolado mesmo, mas em vez de bandas de rock era Gilberto Gil. Porém o relógio andou e com ele a admiração só cresceu e a loucura e a fixação foram se amansando… contudo dia 31/07/2015 chegou e pobre das quatro garotas que estavam atrás de mim.

E pai, agradeço a deus pela sua falta de pontualidade e de senso de direção!

Beijos

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3 Respostas

  1. 94? 94 eu não era nem nascido!

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