• O Violoncelo

    Chorai arcadas
    Do violoncelo!
    Convulsionadas, Pontes aladas
    De pesadelo…
    De que esvoaçam,
    Brancos, os arcos…
    Por baixo passam,
    Se despedaçam,
    No rio, os barcos.
    Fundas, soluçam
    Caudais de choro…
    Que ruínas, (ouçam)!
    Se se debruçam,
    Que sorvedouro!…
    Trêmulos astros,
    Soidões lacustres…
    Lemes e mastros…
    E os alabastros

    Dos balaústres!
    Urnas quebradas!
    Blocos de gelo…
    Chorai arcadas,
    Despedaçadas,
    Do violoncelo.

    Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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0007 – Songs for Swingin’ Lovers – Sinatra

Alguns meses após minha chegada, tive que sair um busca de um barbeiro para o incumbi-lo de dar um jeito nos meus, cada vez mais escassos mas honrados, fios de cabelo.

A Milena provavelmente irá dizer que estou exagerando, e que ainda tenho muito tempo de cabelo util, mas ambos sabemos que isso é uma questão de tempo. Quem será que está certo? Eu por reduzir a Mata Atlântica a um Ibirapuera ou ela por não dar a devida importância ao desmatamento amazônico?

Bom, minha futura total calvice não tem nada a ver com o tema central deste post. Apenas um último comentário: como os portugueses têm cabelo!! Seja velho, seja moço a fartura é impressionante, de causar inveja a qualquer Maria Bethânia e Martha Argerich. Fico até meio constrangido no meio de tanto “Zé Cabeleira”, meu consolo é que quando voltar a São Paulo reencontrarei muitos companheiros de partido (Xuxa – o rei, Tosta, Flávio, meu irmão – o príncipe, e tantos outros…).

Pois bem, Geraldo é um capixaba de fala mansa – conta a todos que dizem que são de São Paulo os últimos dias de sua querida mãezinha no hospital das Clínicas, a única experiência na capital paulista – que divide um salão no centro da cidade, desses bem tradicionais (me lembra muito um que ia nos tempos de UNESP, na rua Bom Pastor) com um senhor muito engraçado que adora provocar seus clientes mais antigos com questões sobre o Beira-Mar, e corta os cabelos com um capricho e cuidado que nunca vi igual.

Para passar uma simples máquina n4, coisa que o Boituva, segundo meu irmão o maior escalpelador de nucas de Tatuí, ou qualquer outro atendente destes salões de São Paulo que cortam cabelo com um esmero igual ao amor que minha avó tem por caça submarina, faria em poucos minutos, ele levou algo em torno de uma hora e quinze, isso porque, como já disse, meu telhado está bem “manco”. Depois de passar, repassar e trespassar a máquina ele ainda conseguiu usar uns não sei quantos tipos de tesouras e pentes para acabentos e detalhes que meus ignorantes e insensíveis olhos não puderam perceber, mas sei que foram imprescindíveis para o “Uau, você está um arraso!” que ouvi ao chegar em casa.

E é exatamente isso que achei deste disco: que ele foi feito com o máximo de cuidado e carinho, mesmo porque pelo que entendi, ele estava precisando resgatar seu público. E garanto que muita gente após ouvir essa delícia – que certamente  meus ouvidos “daltônicos” deixam passar reto muita coisa que merecia ser apreciada mas por mais que insista eles se recusam a compreender – olhou profundamente para o vinil e disse: “Uau, você está um arraso!!”

E viva o Geraldo!

0005 – This is Fats – Fats Domino

19/12/2008

Foi exatamente nesta sexta-feira, que pela primeira vez na vida ouvi falar em Fats Domino, e digo mais: foi às 18:30 no ponto de ônibus do cruzamento da Rua da Consolação com a Avenida Paulista – em frente ao Cine Bellas Artes – esperando o 7598-10 – Pq Continental. E querem saber quais eram os filmes que estavam em cartaz? Bom, não vou falar porque pode ser que alguém ache que estou apenas chutando, e mesmo porque depois do meu momento Baloubet du Rout minha memória está sem a menor credibilidade. Mas eu sei!

Estávamos indo comemorar os meus 27 anos e cinco dias no bar do Pai do Leo “do Baixo” (é engraçado como nossos nomes “mudam” depois que entramos para o mundo da música, acho porque passamos tanto tempo com nossos instrumentos nas mãos, na cabeça, nos ouvidos, na boca, que pelo menos entre os músicos, nossos sobrenomes que indicavam quais eram nossas origens e famílias, agora passam a indicar outras famílias, das cordas, dos sopros ou da percussão. E fica assim: Fulano do Cello, Cicrano do Trombone, Não sei Quem do Fagote… e de uma forma ou de outra, acabamos em uma mesma família.), e aposto que quem conhece um pouquinho de São Paulo, deve ter tido um calafrio ao ler o nome do ônibus que a Mica, quatro amigos pobretões (incluindo o filho do dono do bar) e eu esperávamos, pois o tal do Parque Continental é muuito longe. Agora imaginem: São Paulo + sexta-feira + seis e meia da tarde + fim de ano + ônibus para periferia = filial do inferno!!! Aquilo estava uma loucura, tivemos que esperar não sei quantos “pq continentais” para conseguirmos subir, tamanho era o número de passageiros-sardinha que insistiam, e ainda insistem, em fundir seus corpos suados e esgotados a fim de desmentir a lei que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, e depois disso foram zilhares de minutos dentro daquela estufa semi-ambulante.

Enfim descemos, e, a medida que caminhávamos, ia me surpreendendo com aquela vizinhança, casas enormes e bares belíssimos, e o de repente surge em nossa frente o bar do pai do Leo; um “senhor” bar! O bar estava cheio, no caminho até nossa mesa, que estava lá no cantinho, fui ouvindo… Fats Domino? Não, fui ouvindo a frase mais batida de tudo final de ano, mais até que “feliz natal e um próspero ano novo”: “… o meu amigo secreto…”

Sentamos, comemos, bebemos, foram chegando mais alguns amigos… demos muitas gargalhadas. Uma das melhores comemorações de aniversário que já tive!

Quando dobrei a esquina da Paulista com a Consolação, já pude ver o pessoal no ponto conforme o combinado, e vi também que o André “do violino” tinha uma sacolinha da Livraria Cultura. Lá estava meu primeiro CD do Fats Domino!  Muito bom!!

Esse disco possui um charme muito peculiar, uma das faixas me lembrou muito um dos mambos do Lou Bega, mas talvez seja coisa da minha cabeça.

Vale muito!

Link do disco : http://nobrasil.org/0005-fats-domino-this-is-fats/

E para quem quiser, o bar do pai do Leo é o Sanfra’s bar & grill ( http://www.sanfras.com.br/ ), segundo a Milena, um dos melhores hamburgueres que ela já comeu! Muito bom!!

0004 – The Wildest! – Louis Prima

A alegria de um Louis Armstrong, com um timbre de um L(o)uis Melodia.

Muito bom.

0004 – The Wildest! Louis Prima

aqui: http://nobrasil.org/0004-louis-prima-the-wildest/

0003 – Tragic Songs of Life – The Louvin Brothers

O único disco de música country que acho que realmente vale a pena, é um que o YOYO-MA gravou junto com EDGAR MEYER e MARK O’CONNOR em 1996. O resto…..trilha sonora dos desenhos do Pica-Pau com o Pé-de-Pano.

0003 – Tragic Songs of Life The Louvin Brothers

para os corajosos: http://nobrasil.org/0003-the-louvin-brothers-tragic-songs-of-life/

0002 – Elvis Presley – Elvis Presley

álbum 0002

Elvis Presley - 1956

Meu sogro gosta muito de música. Eu também. Acho que depois do tricolor, nossa paixão acima de quase todas as coisas e que se Deus quiser vai papar mais alguns canecos este ano, o gosto pela música é o que temos de mais parecido, e não estou falando de um ou outro determinado tipo de música, falo de música no geral. Temos uma afinidade muito grande neste quesito, e, logicamente, temos um nível de exigência muito bem apurado, cada um a seu modo, mas temos certeza de que toda vez que pegamos um CD para colocar em qualquer rádio que seja, é música de qualidade.

Temos prazer, e paciência, de simplesmente sentar pra ouvir música e só, e isso na nossa família, poucos têm. Vão falar que o dia-dia é muito corrido, que não têm tempo, que os trabalhos exigem muito e mais uma porção de coisas, compreendo todas as desculpas, e mais, ninguém é obrigado a gostar de ficar plantado num sofá ouvindo e ouvindo. Nós gostamos.

Agora, o que muitas pessoas, a maioria do sexo feminino, não entendem, é que existem músicas que exigem que o volume esteja mais perto do Máx. que do Min., não tem jeito. (Já posso até ouvir o Dudu falando: “É porque não era você que acordava todo domingo às oito da manhã ouvindo: Laudate Dominum* nas alturas”, e isso é mentira, porque acordei sim algumas vezes ouvindo o tal Laudate…mas isso era sinal de alegria, de pré-disposição).

Momentos muito felizes que me lembro, era quando meu pai colocava na vitrola coisas como: Chocolate, O canto da sereia, ambas com a Marisa Monte, We are the World – que acabou de ser regravada por outros artistas para ajudar o Haiti – e a que eu mais gostava e me divertia Total eclipse of my heart, e tudo tão alto que os alto falantes saiam pulando. Que alegria!

E uma das coisas que lembro que Seu Rinaldo gosta de ver e ouvir, e acho que não é baixo, é um vídeo do Elvis bem novinho cantando várias coisas e até uns hinos de igreja. Acho que esse foi o único contato que tive com o chamado rei do rock.

Para mim, esse disco é, como eles diziam em Tatuí, um completo bailinho.

Link do álbum:http://www.easy-share.com/1907943816/0002.rar

*laudate dominum, é um programa muito bom de música sacra da rádio cultura de São Paulo (FM 103,3) apresentado pelo pianista e compositor Amaral Vieira, que vai ao ar todo domingo de manhã, e tem como vinheta um coral cantando exatamente o nome do programa.

0001 – In the wee small hours in the morning – Frank Sinatra

Frank Sinatra

almbum 0001

A única coisa que eu realmente conhecia do Frank Sinatra (tirando o disco do Tom em que ele tem uma mera participação – rsrs – e que espero que conste neste livro) era uma coletânea de comemoração aos seus 80 anos que meu pai ganhou de alguém e que eu de vez em quando colocava pro seu Saliba ouvir, e como toda coletânea, só tinha as mais mais (NY NY, My Way…) com aquelas mega orquestras e arranjos super grandiosos, aquelas coisas de musical da Broadway em que todo mundo arrepia todos os pêlos do braço e os mais sensíveis até choram, esse era o caso do meu avô. Gostaria de deixar claro que a sensibilidade nesse caso era honesta, ele realmente se emocionava com músicas de seu tempo, fossem elas internacionais, sambas, polcas, maxixes, tangos, qualquer coisa que o fizesse lembrar algo do passado ele começava com aquele choro engasgado que muitas vezes até me dava vontade de rir, acho que ele foi a única pessoa que chorou ouvindo Moreira da Silva! Agora, em muitos outros casos ela atingia níveis glaciais, mas isso não vem ao caso.

Pois bem, esse primeiro disco da seleção não tem nada de mega-produção, pelo contrario, me parece um disco muito intimista, com uns arranjos de orquestra muito sutis e delicados. Com esse álbum, consigo imaginar o Jack Nicholson em Chinatown, dentro de uma boate, meia luz, whisky e um cigarro quase no fim, e ele sozinho a se perguntar: “Por quê?”

Gostei

querendo baixar….http://nobrasil.org/0001-frank-sinatra-in-the-wee-small-hours/

1001 discos para ouvir antes de morrer

Outro dia chegou aqui em casa a tão esperada caixa de surpresas que meus pais nos mandaram pelo correio: uma blusa que era da minha vó Lúcia, dois pares de meias, um livro pra Mica, um pra mim e uma carta. A carta muito linda; a blusa ajudar a Mica contra o frio; o livro dela ela já tinha lido antes da viagem, então foi direto pra estante, com a esperança de poder troca-lo no meio do ano; e o meu, 1001 discos para ouvir antes de morrer, um “tijolo” de quase mil páginas, daqueles que dá vontade de ficar o dia todo vendo as fotos e lendo os comentários.
Acho que vai ser legal, mesmo que demore muito tempo, tentar ouvir todos os álbuns. Certamente essa seleção é um pouco diferente da MINHA seleção de discos (o livro trata basicamente de rock e pop), mas acho que vai ser divertido conhecer algumas bandas que nunca ouvi falar – The Mothers Of Invention, Dolly Parton, The Pogues…- ouvir bandas que conhecia apenas de nome – The Bee Gees, Kiss, ZZ Top… – aprender um pouco mais sobre álbuns que já adoro – “Vento de Maio” da Elis, “Construção” do Chico, “Time Out” do Dave Brubeck, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles….- só não sei se vou ter coragem de ouvir coisas que deveriam estar na seleção de “maiores atentados a raça humana” e não de melhores discos, como Christina Aguilera e Britney Spears.

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